Depois do jantar, sentado na calçada de minha casa, Seu Cícero Piô começou a falar de um amigo seu, apresentando-o como homem trabalhador, esperto, inteligente: - Conheço ele desde muito tempo, professor. Ainda hoje meu compadre Zé Ferreira é um grande imaginário.
Antes de ele continuar sua conversa, perguntei-lhe: - Seu Cícero, me diga o que quer dizer imaginário?
Diante da minha pergunta, Cícero Piô se assustou,
arregalando os olhos, como de costume. Ficou a passar as mãos pelo rosto, que
era mais um tique nervoso seu quando alguém o cortava numa conversa, ou em
qualquer história que ele estivesse contando.
- Professor Batista, voltou a falar Seu Cícero Piô,
nem parece que o senhor é um professor formado, de anel no dedo. Nem eu,
que só sei o que é um O quando me sento em cima, na privada.
- Mas, Seu Cicero, nem tudo a gente pode saber E o
que é mesmo imaginário?
Naquele instante, ele estufou o peito e bradou:
- Meu professor, Zé Ferreira é um
fazedor de imagem, imagem de santo e o que vier pela frente. Imagem de todo
tipo de santo do mundo, só ele faz.
JN. Dantas de Sousa
