Meus olhos castanhos (Dantas de Sousa) - poema

Diante de cordas 
luxuriantes do violino, 
recheadas de sensual época, 
envolvo-me em melancolia.

Em fagulhas da imaginação:
mulheres de longos cabelos,
roupas coloridas a voar dançam.
Homens se deleitam estrelas,
deitados, após labuta árdua.


A melodia se espraia na tarde.
No imo d'alma, exprimo sonhos,
minha segunda linguagem.

Melancolia no som de gitanos.
Melancolia, regado a tinto seco
em céu de nuvens desnutridas. 

Se meu vigor se esmaece,
os meus olhos castanhos 
aquecem-me na dança cigana.

JN. Dantas de Sousa

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