Diante de cordas
luxuriantes do violino,
luxuriantes do violino,
recheadas de sensual época,
envolvo-me em melancolia.
Em fagulhas da imaginação:
mulheres de longos cabelos,
roupas coloridas a voar dançam.
Homens se deleitam estrelas,
deitados, após labuta árdua.
A melodia se espraia na tarde.
No imo d'alma, exprimo sonhos,
minha segunda linguagem.
No imo d'alma, exprimo sonhos,
minha segunda linguagem.
Melancolia no som de gitanos.
Melancolia, regado a tinto seco
em céu de nuvens desnutridas.
Se meu vigor se esmaece,
os meus olhos castanhos
aquecem-me na dança cigana.
JN. Dantas de Sousa
