Meia-noite. A hora não para.
O agora é menos que o piscar
do vaga-lume no quarto.
Vele por mim, madrugada,
amarga mãe da solidão
me acalente neste poema agora.
Grave no olhar, fere-me o luar.
No infinito, pisca a estrela.
Vê-la perto mais quero.
No infinito, pisca a estrela.
Vê-la perto mais quero.
Peco na ilusão da imaginação,
apresso-me no ilusório passo,
amasso o lençol de enfado.
Renasço na lúbrica voz da gata,
convida-me a passear na noite,
como eu saía à busca de ilusão.
Paixão, que me mostre sua cara
nesta estrada do agora. Vestida
em sua abominável mortalha.
JN. Dantas de Sousa
