Duas latas d’água
se equilibram na cabeça
se equilibram na cabeça
de duas mulheres
amorenadas da quentura.
A criança no jumento vai.
A criança no jumento vai.
Mais quente que o sol
a estrada poeirenta.
A serra barrenta se acostumou
a miséria passar por cima dela.
a miséria passar por cima dela.
Enquanto o resto do açude
não se vê, os olhos se enchem
de vento e areia. Mais pesado
que seca o céu azul, azul, azul.
não se vê, os olhos se enchem
de vento e areia. Mais pesado
que seca o céu azul, azul, azul.
JN, Dantas de Sousa
