Cena seca (Dantas de Sousa) - poema



Duas latas d’água 
se equilibram na cabeça 
de duas mulheres
amorenadas da quentura. 
A criança no jumento vai.

Mais quente que o sol 
a estrada poeirenta. 
A serra  barrenta se acostumou
a miséria passar por cima dela.

Enquanto o resto do açude 
não se vê, os olhos se enchem 
de vento e areia. Mais pesado 
que seca o céu azul, azul, azul.

JN, Dantas de Sousa

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