O que é ser cristão? É ser santo?
Houve um tempo em que perguntas como essas me atormentavam. De repente,
pululavam dentro de mim outras dúvidas, tais como: eu tenho a obrigação, como
cristão, de não errar. Ou eu imaginava que havia cristãos que agiam melhores do
que eu, e os quais já se situavam num patamar acima de mim na questão do pecar.
E os julgavam bem mais próximos da salvação.
Esses tais pensamentos só me levavam
a viver num cristianismo como uma espécie de uma máquina de fabricar
estressados. Desejava ser o herói cristão, consciente de não capitular jamais
nos deveres morais. Esforçava-me no perfeccionismo, ansiava-me no instinto de
autoafirmação. Sustentava-me, ainda, numa permanente tensão nervosa. Vivia-me
na possibilidade constante de vir a pecar, ou a cair no erro, quer seja mortal
ou venial. Por fim, buscava-me tornar, a qualquer custo, um verdadeiro
perfeccionista cristão, só que eu me caminhava a ser um indivíduo
espiritualmente frustrado.
Diante desse quadro caótico e
paradoxal, descobri que esse tipo de cristianismo me poderia criar, num mundo
hodierno relativista e supérfluo, funcionando dentro de ideias desumanas e
anticristãs, um cristão estressado. Ao mesmo tempo, não me embevecia de
ideologia capitalista, devido ao seu estímulo ao egoísmo. Nem me embevecia de
marxismo, devido ao seu estímulo ao ódio. E antevia tanto aquela como esta
ideologia mais que fomentadoras de estresses emocional, mental e
psicossomático. Como também de estresses físico, psíquico e espiritual.
É bem verdade que indivíduos sem fé,
ou cambaleantes na fé, se autoestressam. E, assim, concentrei-me nesse momento
em que eu estava passando. E dei início as seguintes reflexões: por que tanta
ansiedade de minha parte para possuir confiança em Deus? Por que tanto desejo
de me conduzir como filho de Deus? Por que tanta insegurança para acreditar que
Deus é Pai? E essas reflexões, entre outas, foram realmente terapêuticas.
Primeiro conclui que eu deveria me
armar de uma poderosa força antiestressora, que é esta: o cristão tem o direito
de se ocupar para o futuro, porém não tem o direito de se preocupar com o
futuro. Por que, então, o cristão tem de se atormentar, de se preocupar, de se
angustiar, de se afligir, de se desesperar, se ele acredita que Deus pode
transformar o impossível no possível?
A partir dessa confiança na
providência divina, ressurgiu-me a virtude cristã da alegria. A alegria de ter
a certeza de que somente um perfeito cristão sabe que Deus é impecável. E que o
perfeito cristão será sempre imperfeito.
Ser cristão, portanto, é estar sempre
em busca da necessidade de conseguir a simplicidade, a prudência, a
perseverança, a mansidão, a humildade. Ser cristão é ter consciência de que a
confiança na Providência divina é benéfica. Mas, para o perfeccionista, ou para
o soberbo, falta exatamente aquilo que faz um cristão educado. E, por
conseguinte, a sua falta de confiança em Deus é um exemplo de estresse.
JN. Dantas de Sousa
